domingo, 20 de dezembro de 2009

Práticas e modelos A.A. das BE - 8

Guia da Sessão: O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares:
Metodologias de operacionalização (Workshop)

A sessão pensada como workshop tem como objectivos centrais examinar a operacionalização do modelo de auto-avaliação no que se refere à utilização da linguagem em contexto de avaliação e de planificação de acções para a melhoria. Estes aspectos concretizam-se, em particular, na elaboração do relatório final de auto-avaliação. Esse relatório deve ser escrito de uma forma clara, e para isso considerou-se importante ter em atenção alguns princípios orientadores para que essa tarefa seja mais conseguida. Isto significa que o relatório de auto-avaliação deve ser:

• um documento que apresenta de forma perceptível e avaliativa os resultados da análise realizada.
• um documento que perspectiva de forma objectiva e específica as acções para a melhoria.

A reflexão aqui desenvolvida baseia-se numa análise dos relatórios finais de auto-avaliação que foram realizados durante a fase de aplicação experimental do modelo. Esses relatórios revelaram algumas fragilidades nas dimensões acima referidas, pelo que se considerou que seria útil uma sessão dedicada em particular a aspectos de linguagem. Neste sentido, as actividades aqui desenvolvidas são de carácter eminentemente prático e procuram alertar para situações que deverão ser tidas em linha de conta na realização dos relatórios finais de auto-avaliação da biblioteca escolar.

(1) Distinguir descrição de avaliação

Não nos podemos esquecer que estamos perante um processo de avaliação e, por isso, espera-se que a análise realizada a partir das evidências recolhidas se projecte em apreciações (avaliações) sobre a realidade analisada. Nas orientações para aplicação do modelo de auto-avaliação referem-se alguns aspectos relativos à necessária diferenciação que devemos efectuar entre um enunciado descritivo e um enunciado avaliativo. A necessidade de distinguir estas duas situações revelou-se no facto de muitos relatórios se cingirem à apresentação de dados e factos e não de uma apreciação sobre esses elementos. Para se poder perspectivar com clareza quais são os pontos fortes e os pontos fracos da realidade analisada é imprescindível lançar um olhar avaliativo sobre os resultados que possuímos e resultantes da recolha de evidências. Vejamos o que está mencionado no texto das orientações para a aplicação do modelo.

“Os elementos recolhidos (evidências) são sujeitos a uma análise e apreciação, que terá a ver com a própria natureza dos dados. Os dados estatísticos, por exemplo, serão objecto de uma análise que vai permitir quantificar certos aspectos relativos quer ao funcionamento da BE quer à forma como o trabalho é percepcionado e apreciado pelos utilizadores da biblioteca.
A análise dos dados obtidos deve conduzir à elaboração de avaliações sobre a BE e os seus serviços em termos de: eficácia, valor, utilidade, impacto, etc.
Neste aspecto, é importante distinguir entre elaborar uma descrição e uma avaliação. A avaliação implica uma apreciação baseada na análise de informação relevante e evidências. Frequentemente inclui a explicação das consequências ou implicações de uma determinada acção ou processo.” (p. 68 do Modelo de auto-avaliação, disponível em http://www.rbe.min-edu.pt/np4/?newsId=31&fileName=mod_auto_avaliacao.pdf ).

O que é descrição? – Dizer o que acontece, sem apreciações sobre os resultados nem referência ao valor da acção ou processo em causa.
O que é avaliação? – Fazer uma apreciação baseada na análise de informação relevante e evidências. Frequentemente inclui a explicação das consequências de uma determinada acção ou processo.
A um bom enunciado avaliativo podemos fazer a pergunta “e depois?” – um bom enunciado avaliativo explica as consequências ou implicações (que podem ser negativas ou positivas).

EXEMPLO:
Enunciado descritivo: “Existe protecção de dados e procedimentos de copyright nas operações através da TIC.”
(Comentário: este enunciado não julga a utilização e a utilidade dos procedimentos, apenas constata um facto.)

Enunciado avaliativo – “Existem processos claros e actualizados de protecção de dados e os procedimentos de copyright asseguram que todos os utilizadores cumprem os requisitos legais.”
(Comentário: este enunciado avalia os processos – são “claros e actuais” – e explica as consequências dos procedimentos assumidos.)



ACTIVIDADE – distinguir descrição de avaliação (a desenvolver em fórum)

1- Dos seguintes enunciados, indicar os que são descritivos e os que são avaliativos.
2- Melhorar os enunciados mais descritivos, transformando-os claramente em enunciados avaliativos (criação de hipóteses possíveis).

Enunciados:

1- Foi recolhida informação dos departamentos sobre a colecção da BE.

2- A BE promove sistematicamente mecanismos de avaliação cujos resultados são utilizados na planificação do trabalho.

3- Iniciativa de um projecto (parceria com a Câmara Municipal) de âmbito nacional.

4- Aproximação estimulante às famílias e seu envolvimento no projecto da BE, com o projecto “Leituras em família”.

5- Horário da BE cobre todo o tempo de abertura da escola.

6- A actualização do material informático não corresponde às necessidades dos utilizadores (professores, alunos).

7- A BE disponibiliza guiões de pesquisa baseados no modelo Big6.


Na minha perspectiva, apenas o enunciado 2 é avaliativo. Todos os restantes são descritivos.

Transformação dos enunciados descritivos em enunciados avaliativos:

1) A BE recolheu informações sobre a sua colecção de modo a diagnosticar o seu equilibrado desenvolvimento e a actualidade, tendo em conta as orientações da RBE e os currículos dos alunos.
3) A BE desenvolve, em parceria com a BM, um projecto inovador de âmbito nacional, devidamente divulgado junto dos órgãos de gestão e pedagógicos de gestão intermédia e da comunidade escolar, e com resultados de participação activa muito positivos.
4) O Projecto “Leituras em família”, desenvolvido pela BE, tem proporcionado uma aproximação estimulante com as famílias e o seu envolvimento entusiástico no mesmo.
5) O Horário da BE cobre todo o tempo de abertura da escola, proporcionando a sua frequência a toda a Comunidade Educativa, acesso a todos os serviços e apoio às actividades de leitura, pesquisa, estudo e execução de trabalhos.
6) A actualização do material informático não satisfaz adequadamente as necessidades dos utilizadores (professores, alunos).
7) A BE disponibiliza guiões de pesquisa baseados no modelo Big6 que apoiam eficazmente os trabalhos dos alunos orientando-os de forma profícua na realização das tarefas de investigação e produção de trabalhos.


(2) Distinguir enunciados gerais de específicos

Outro problema que emergiu da análise dos relatórios já referidos situa-se na forma como são perspectivadas as acções para a melhoria. Vejamos o exemplo de enunciados retirados dos relatórios referentes ao domínio B:
Domínio B Acções para a melhoria

Leitura e literacia
1. Sensibilizar a escola para a importância da leitura como suporte às aprendizagens e à progressão nas aprendizagens.
2. Delinear um projecto que identifique prioridades e estabeleça objectivos e metas a atingir.
3. Reforçar o trabalho articulado.
4. Reforçar a produção de instrumentos de apoio a ser usados por professores e alunos.


Uma leitura atenta dos enunciados que apontam as acções para a melhoria leva-nos a concluir que estamos perante enunciados que remetem para objectivos ou propósitos muito gerais. De facto, dificilmente a partir deste conjunto de intenções se perspectivam quais são os aspectos concretos que se pretendem implementar enquanto acções específicas para a melhoria. Os enunciados descritos situam-se numa fase prévia ou num patamar anterior ao que se consideram verdadeiras propostas de acções para a melhoria. Quase todos os verbos iniciais se situam no plano mais geral das intenções, necessitando portanto de uma especificação que revele claramente o quê se pretende fazer e, em alguns casos, o como se vai fazer.
Analisemos dois destes enunciados, questionando-os e apontando hipóteses de melhoria:
1. “Sensibilizar a escola para a importância da leitura como suporte às aprendizagens e à progressão nas aprendizagens.”
- O termo “sensibilizar” é muito geral; uma acção para a melhoria deverá especificar, neste caso, o como, ou seja, que aspectos concretos de actuação se integram nesse termo: exemplos - “sensibilizar a escola para a importância da leitura …. através de acções de formação a organizar com o Centro local. “; “sensibilizar a escola para a promoção da leitura… organizando um debate com um investigador na área”, etc.
- Outra questão que seria importante ponderar perante um enunciado deste género, e face ao ponto de partida (em função dos resultados obtidos na avaliação), é se de facto nos devemos centrar na “escola” como um todo ou se não se deverá antes apontar interlocutores privilegiados e estabelecer prioridades – convém sublinhar que as acções para a melhoria devem ser realistas e perspectivar objectivos alcançáveis num prazo determinado, por isso de pouco serve apontar propósitos tão abrangentes que muito provavelmente estarão fora do nosso alcance a curto prazo.

2. “Delinear um projecto que identifique prioridades e estabeleça objectivos e metas a atingir.”
- O enunciado revela que não se percebe o que são acções para a melhoria, pois quando apontamos essas acções elas pressupõem que já se identificaram prioridades e já se estabeleceram objectivos, resultando então daí as acções para a melhoria.

A ocorrência de enunciados do tipo apresentado é frequente, indiciando que de facto não foi ainda efectuada uma análise ponderada dos dados e resultados obtidos no processo de avaliação. Essa análise é essencial, pois dela deverá resultar não um mero elencar de intenções de carácter geral, que dificilmente se concretizarão, mas deverá perspectivar-se com cuidado aquilo que de facto é prioritário, estabelecer metas credíveis, identificar etapas de intervenção exequíveis e seguras, para que os sucessos obtidos se consolidem sem hipóteses de recuos ou inflexões indesejadas.


ACTIVIDADE – distinguir enunciados gerais de específicos (a desenvolver em fórum)
1- Analisar os enunciados 3 e 4, apontando as suas fragilidades e propondo eventuais alterações que os transformem em enunciados específicos e que concretizem hipóteses reais de acções para a melhoria.

Enunciado 3: Reforçar o trabalho articulado.
* Muito vago, geral.
* Deveria referenciar com quem e de que modo se vai reforçar esse trabalho articulado.
Sugestões:
* Reforçar o trabalho articulado com os Departamentos e os docentes de modo a apoiar de modo mais eficaz os conteúdos curriculares.
* Reforçar o trabalho articulado com os Departamentos e os docentes de forma a apoiar/ajudar o desenvolvimento das competências de leitura, escrita e oralidade, em ligação com os conteúdos curriculares.

Enunciado 4: Reforçar a produção de instrumentos de apoio a ser usados por professores e alunos.
* Não refere o tipo de instrumentos de apoio.
Sugestão:
* Reforçar a produção de instrumentos de apoio a serem usados por professores e alunos, quer nas aulas, quer em casa: guiões de leitura, fichas de trabalho, fichas informativas, fichas de apoio, webquest, exercícios de palavras cruzadas, escolha múltipla e lacunares (materiais relativos aos conteúdos curriculares), biografias de autores inseridos nos currículos…

sábado, 12 de dezembro de 2009

Práticas e modelos A.A. das BE - 7

Sessão 6


Guia da Sessão: O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares: metodologias de operacionalização (Conclusão)


O Ministério da Educação (ME) tem em curso um processo de avaliação externa de todos os estabelecimentos públicos de ensino, tendo por suporte um Quadro de Referência e o trabalho de um conjunto de equipas de avaliação no terreno, mediante os quais, se propõe vir a avaliar cada escola de 4 em 4 anos.
Esta avaliação externa articula-se com os mecanismos de auto-avaliação postos em prática em cada escola que, como sabemos, são muito distintos de escola para escola.
Tendo em conta esta variedade, a IGE definiu um conjunto de campos e tópicos de análise comuns que visam uniformizar e facilitar às escolas a preparação da sua apresentação à equipa de avaliação externa e a elaboração do texto que lhe serve de suporte e fundamentação.
A análise e reconhecimento do papel da BE a nível da auto-avaliação da escola, para a qual tenta contribuir o Modelo de Auto-Avaliação das BE proposto pela RBE, e a inclusão da BE na informação prestada às equipas de avaliação externa, tendo em vista a sua valorização, desenvolvimento e melhoria, é fundamental.
A actividade desta sessão incide, deste modo, nesta fase de transferência e comunicação para o exterior dos resultados de avaliação apurados no processo de auto-avaliação da BE e incorporados na auto-avaliação de cada escola.
Como desconhecemos o modo como cada escola organiza a informação resultante da sua auto-avaliação, mas conhecemos a estrutura descritiva comum da IGE, a que essa informação deve obedecer com vista à avaliação externa, utilizaremos também esta estrutura, como referencial para o nosso trabalho de reflexão nesta sessão.
Considerando os documentos disponíveis na Plataforma:
1) “Tópicos para apresentação da escola: campos de análise de desempenho”, através do qual se orienta o conteúdo do texto e da apresentação das escolas à IGE;
2) “Quadro de Referência para a avaliação de escolas e agrupamentos, em função do qual, a IGE elabora os seus Relatórios de Avaliação externa:
3) Uma amostra, à sua escolha, de Relatórios de avaliação externa das escolas dos anos 2006/07; 2007/08 e 2008/09

1. Elabore um quadro que permita cruzar o tipo de informação resultante da auto-avaliação da BE nos seus diferentes Domínios com os Campos e Tópicos estabelecidos pela IGE, nos quais aquela informação deve ser enquadrada.

2. Tendo por base a amostra de Relatórios de avaliação externa que elegeu, faça uma análise e comentário crítico à presença de referências a respeito das BE, nesses Relatórios.

Coloque o texto de orientação no Fórum 1 e a análise e comentário crítico no Fórum 2, de modo a que todos os formandos possam ter numa fase posterior, se assim o entenderem, acesso aos trabalhos dos seus colegas.




Tarefa 2: análise e comentário crítico

sábado, 5 de dezembro de 2009

Práticas e modelos A.A. das BE - 6

Sessão 5

O exercício que vos propomos nesta segunda parte da unidade sobre a operacionalização do Modelo procura responder a este objectivo, de estabelecer nexos coerentes entre, por um lado, os indicadores e respectivos factores críticos, e por outro, os instrumentos, evidências e acções de melhoria que viabilizam, traduzem e permitem melhorar a avaliação desses indicadores em cada Domínio ou Subdomínio.

A actividade a realizar consiste no seguinte:

1) Escolha, à sua vontade, um qualquer Subdomínio do Domínio D do Modelo: Gestão da BE. Se já testou este Domínio o ano transacto na sua escola (caso seja coordenador/a da BE), escolha outro que não tenha avaliado.

2) Construa uma tabela idêntica à do exemplo produzido neste Guia da Sessão (Página 3), copiando:
a. para a primeira coluna, os indicadores que integram o Subdomínio que escolheu;
b. para a segunda coluna, os factores críticos respeitantes a cada indicador;
c. para a terceira coluna, os instrumentos de recolha de evidências propostos pelo modelo, ou outros que considere relevantes.

3) De seguida, aprecie o tipo de instrumentos que indicou e analise detalhadamente o teor ou tipo de conteúdo desses instrumentos;

4) Com base nessa análise dos instrumentos, construa na quarta coluna “frases – tipo” que exemplifiquem as evidências passíveis de serem obtidas a partir daqueles instrumentos, para cada um dos indicadores do Subdomínio escolhido, à semelhança do realizado no exemplo dado na Página 3.

5) Tendo por base o conhecimento directo da/s BE da Escola/Agrupamento de que é Professor-bibliotecário, e tendo por objectivo a melhoria dessa/s BE/s, sugira acerca do Subdomínio por que optou, justificando as suas sugestões:

• Duas Coisas que considere que a/s BE/s devessem deixar de fazer;
• Duas Coisas que considere que a/s BE/s devessem continuar a fazer;
• Duas Coisas que considere que a/s BE/s devessem começar a fazer.


Tabela D1




Acções Futuras

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Práticas e modelos A.A. das BE - 5

Sessão 4

a) Escolha, em alternativa, um dos seguintes Domínios/Subdomínios e analise-o detalhadamente:
• A.2. (Promoção da Literacia da Informação)
• B. (Leitura e Literacia)
• C.1. (Apoio a Actividades Livres, Extra-Curriculares e de Enriquecimento Curricular)
A fim de evitar um grande desequilíbrio entre o número de formandos em cada Domínio/Sub-domínio, solicitamos que procedam no Fórum da Actividade a uma inscrição prévia no Domínio/Sub-domínio escolhido, abrindo uma linha de conversa e colocando um primeiro post com o assunto: “Domínio ou Sub-domínio X”.

Atenção: em cada Domínio/Sub-domínio não serão admitidos mais de 12 formandos, por isso se um deles já tiver esse número de inscritos, terá de escolher outro.

b) Usando como pano de fundo a biblioteca que se propõe avaliar ou uma biblioteca, cujo processo de auto-avaliação vai apoiar, estabeleça um Plano de Avaliação em profundidade do Domínio/Sub-domínio que escolheu, recorrendo ao Texto da Sessão e ao Documento de leitura obrigatória Basic Guide To Program Evaluation.

O Plano deve incorporar informação e aspectos retirados de ambos os documentos e reflectir a natureza e conteúdo do Domínio/Sub-domínio escolhido.


O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares: metodologias de operacionalização (parte I)



Aplicação do domínio B – Leitura e Literacia

Indicadores:
B.1 – Trabalho da BE ao serviço da promoção da leitura na escola.
B.2 – Integração da BE nas estratégias e programas de leitura ao nível da escola.
B.3 – Impacto do trabalho da BE nas atitudes e competências dos alunos, no âmbito da leitura e da literacia.


Plano de Avaliação


Porquê avaliar?


“O propósito da auto-avaliação é apoiar o desenvolvimento das bibliotecas escolares e demonstrar a sua contribuição e impacto no ensino aprendizagem, de modo a que ela responda cada vez mais às necessidades da escola no atingir da sua missão e objectivos” (texto da sessão).


1. Problema/Diagnóstico
A BE deve ser o centro da escola em torno da qual se desenvolvem os curricula e a aprendizagem. Deve ser entendida como um agente de mudança e de progresso.
Um dos principais objectivos da BE deve ser a formação de leitores para a vida, competentes, capazes de aceder à informação em diferentes suportes, seleccioná-la, compreendê-la e transformá-la em conhecimento. O objectivo referido vai de encontro a dois objectivos contemplados no Projecto Educativo da Escola Secundária de Seia: assegurar o desenvolvimento de competências de compreensão e expressão em língua materna/ desenvolvimento da competência de comunicação e promover a formação de leitores reflexivos e autónomos, daí a escolha do domínio B.
Para além disso, a BE tem desenvolvido um trabalho contínuo no domínio da Leitura e da Literacia, procurando contribuir para a promoção do sucesso educativo dos alunos; tem procurado contribuir para o desenvolvimento da competência leitora dos alunos, através de projectos de incentivo à leitura (Projecto “As 5 Portas da Leitura: Promoção do Livro e da Leitura”, desenvolvido pelos alunos do 11º e 12º anos/ Projecto “Conto a duas Línguas”, destinado a alunos do 1º ciclo); tem tido a preocupação de desenvolver nos alunos hábitos de trabalho, conducentes a uma aprendizagem autónoma.
Portanto, torna-se premente conhecer qual o impacto que as actividades desenvolvidas estão a ter junto dos utilizadores e da comunidade educativa em geral. A aplicação do modelo de auto-avaliação permitir-nos-á reflectir, analisar o trabalho desenvolvido no âmbito da Leitura e da Literacia e implementar medidas de melhoria em relação ao trabalho que está a ser desenvolvido e colmatar os pontos fracos detectados.


2. Identificação do objecto da avaliação


O que avaliar?


“Medir os outcomes (Impactos) significa, no entanto, ir mais além, no sentido de conhecer o benefício para os utilizadores da sua interacção com a biblioteca. A qualidade não deriva nesta acepção, da biblioteca em si mesma ou do seu peso intrínseco, mas do valor atribuído pelos utilizadores a esse benefício, traduzido numa mudança de conhecimento, competências, atitudes, valores, níveis de sucesso, bem-estar, inclusão, etc.


INPUTS → PROCESSOS → OUTPUTS →OUTCOMES


O modelo de auto-avaliação das bibliotecas escolares procurou orientar-se sobretudo segundo uma filosofia de avaliação baseada em outcomes e de natureza essencialmente qualitativa, reflectindo a tendência geral das políticas educativas e de gestão e avaliação das escolas, também elas fortemente orientadas para os resultados” (texto da sessão).
Para avaliar o Domínio B – Leitura e Literacia -, serão avaliados os indicadores B.1 Trabalho da BE ao serviço da promoção da leitura na escola; B.2 Integração da BE nas estratégias de leitura ao nível da escola; B.3 Impacto do trabalho da BE nas atitudes e competências dos alunos, no âmbito da leitura e da literacia.


3. Tipo de avaliação de medida a empreender
Avaliação baseada em outcomes (impactos) e qualitativa.

4. Métodos e instrumentos a utilizar
• Plano de Actividades da BE;
• Projecto Educativo da Escola;
• Registos de planeamento de actividades;
• Registos de actividades da BE;
• Registos de projectos desenvolvidos;
• Registos de actas;
• Registos de opiniões;
• Relatórios de avaliação;
• Registos de imagem
• Estatísticas de utilização da BE para actividades de pesquisa articuladas com os docentes;
• Questionário aos professores (QD2);
• Questionário aos alunos (QA2);
• Estatísticas de requisição/uso de recursos de informação relacionados com a leitura;
• Estatísticas de utilização informal da BE;
• Materiais de apoio produzidos e editados;
• Projectos e actividades comuns realizadas no âmbito da integração da BE nas estratégias e programas de leitura;
• Estatísticas de requisição domiciliária;
• Observação da utilização da BE (O3; O4);
• Trabalhos realizados pelos alunos;
• Análise diacrónica das avaliações dos alunos;
• Informal feedback – “Sendo comum, por exemplo, sobretudo em pequenas escolas, o contacto regular e informal entre os docentes ou com os pais, pode acontecer que, querendo avaliar determinado item, o coordenador da biblioteca considere como fonte importante a recolha de informação obtida através do diálogo e discussão informal desse item com alguns docentes ou com um determinado número de pais” (texto da sessão).

5. Intervenientes
• Professor Bibliotecário;
• Equipa da BE;
• Alunos;
• Professores;
• Direcção;
• Conselho Pedagógico.

6. Calendarização
Avaliação diagnóstica e selecção do domínio: Novembro
Sensibilização e envolvimento da Direcção na selecção do domínio: Dezembro
Recolha de dados: Dezembro a Maio
Tratamento e análise dos dados: Abril a Junho
Elaboração do relatório: Junho
Reunião com a Direcção para ponderar a avaliação obtida e definir as acções para a melhoria: Junho
Apresentação dos resultados em Conselho Pedagógico e definição de acções para a melhoria: Julho
Divulgação do plano estratégico: Setembro

7. Planificação da recolha e tratamento de dados
Recolha de elementos em documentos internos: Abril e Maio
Selecção de um grupo-alvo de alunos a observar: Dezembro
Observação da utilização da BE: 1 momento por período coincidente com a realização de um trabalho de investigação
Aplicação dos questionários: Janeiro
Entrevistas / Informal feedback: Abril e Maio
Tratamento dos dados obtidos: Abril a Junho

8. Análise e comunicação da informação
Após a recolha e tratamento dos dados, a Professora Bibliotecária coadjuvada pela Equipa analisa os dados recolhidos; descreve a situação; desenvolve uma análise sobre a performance da biblioteca no domínio escolhido, em “relação com os standards de desempenho ou benchmarks” (texto da sessão); identifica os pontos fortes e os fracos; decide o nível de desempenho em que se situa a biblioteca nesse domínio; define as acções de melhoria a desenvolver; redige e divulga o relatório final de avaliação em Conselho Pedagógico e no sítio da escola e registar os resultados da auto-avaliação realizada no Relatório Anual de Biblioteca Escolar.


9. Limitações
a) dificuldade em envolver a Direcção e o Conselho Pedagógico no processo de auto-avaliação;
b) disponibilidade dos docentes e colaboração na aplicação dos questionários em contexto de sala de aula;
c) falta de rigor no preenchimento dos inquéritos, por parte dos alunos, o que pode adulterar os resultados;
d) dificuldade na aplicação das grelhas de observação;
e) falta de suporte informático para a obtenção de alguns dados estatísticos;
f) falta de tempo;
g) falta de recursos humanos;
h) fraca colaboração dos docentes.


10. Levantamento de necessidades
* Identificação de pontos fracos, priorizando necessidades, estabelecendo alvos e informando o plano de actividades seguinte;
* Identificação de necessidades de investimento a ter em consideração no plano orçamental, justificando o pedido de reforço de verbas ou de apoios suplementares;
* Sugestões de mudança de certas práticas de trabalho e funcionamento;
* Aconselhamento da adopção de outros modos de utilizar os recursos humanos de uma forma mais eficiente, mostrando quando é mais importante a permanência e apoio de determinados docentes na BE, quais as necessidades de formação destes docentes para um trabalho mais eficaz.


Bibliografia:
MCNAMARA, Carter, Basic Guide to Program Evaluation [em linha]. MBA, PhD, Authenticity Consulting, LLC. Copyright 1997-2008. [Consult. 27 Nov. 2009]. Disponível em http://managementhelp.org/evaluatn/fnl_eval.htm.

RBE, Modelo de auto-avaliação da biblioteca escolar [em linha]. Rede de Bibliotecas Escolares, 2009. [Consult. 25, Nov. 2009]. Disponível em http://forumbibliotecas.rbe.min-edu.pt/mod/resource/view.php?id=10375.

RBE, Bibliotecas Escolares: Modelo de Auto-Avaliação (Instrumentos de Recolha de Dados) [em linha]. Rede de Bibliotecas Escolares, 2008. [Consult. 25, Nov. 2009]. Disponível em http://forumbibliotecas.rbe.min-edu.pt/course/view.php?id=95.


RBE, Bibliotecas Escolares: Modelo de Relatório de Auto-Avaliação [em linha]. Rede de Bibliotecas Escolares, 2008. [Consult. 25, Nov. 2009]. Disponível em http://forumbibliotecas.rbe.min-edu.pt/course/view.php?id=95.


RBE, O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares: metodologias de operacionalização [em linha]. Rede de Bibliotecas Escolares, 2009. [Consult. 25, Nov. 2009]. Disponível em http://forumbibliotecas.rbe.min-edu.pt/course/view.php?id=95.



a) Comentário da colega Mónica Martins

Após análise dos poucos trabalhos que já estão no Fórum, resolvi estabelecer uma pequena comparação com a colega Manuela Silva, uma vez que refere muitas ideias parecidas com as minhas, ainda que distribuídas por subtemas diferentes.
Penso que o trabalho está bem estruturado, ainda que, no respeitante à calendarização, eu apenas comecei a planificar actividades a partir de Janeiro de 2010, já que nos pediram para pensar na nossa BE e no Plano que pretendemos implementar. Ora se estamos em Novembro, penso que o ideal será começar logo em Janeiro e mesmo assim já será difícil arrancar com todo este processo. A colega elaborou o seu plano a pensar no próximo ano lectivo e assim iniciou as actividades logo em Setembro. São apenas tempos diferentes, ainda que com objectivos idênticos.
No respeitante às limitações confesso que as minhas estão muito aquém da realidade, a colega Manuela explanou muito melhor aquilo com que nos deparamos diariamente, as solicitações são tantas que já nos vão escapando pormenores importantes.
Não encontro mais nada que mereça a pena comentar, uma vez que, ainda que recorrendo a diferentes palavras, os suportes documentais que temos são os mesmos, logo as ideias também não podem variar muito.
Resta-me desejar-lhe continuação de um bom trabalho.

b) Comentário da colega Arminda Ramos

Após leitura e análise dos trabalhos disponibilizados no fórum, relativos à elaboração do Plano de Avaliação – Domínio B -, optei por estabelecer uma comparação com o trabalho da colega Manuela Silva, em virtude de explanar ideias, em tudo idênticas às minhas.
A Manuela estruturou o trabalho, dando enfoque aos meus aspectos do que eu
(Problema/Diagnóstico; Identificação do objecto da avaliação; Tipo de avaliação de medida a empreender; Métodos e instrumentos a utilizar; Intervenientes; Calendarização; Planificação da recolha e tratamento de dados; Análise e comunicação da informação; Limitações e Levantamento de necessidades), explorando-os de forma clara e directa.
Sugeria, porém, que, no seu trabalho, clarificasse a calendarização, pois não é compreensível se se refere a Novembro de 2009 ou de 2010, e lhe acrescentasse a contextualização da sua BE, como forma de enriquecimento do Plano.
Faço votos para que, partindo da sua vasta experiência no âmbito das Bibliotecas escolares, tenha sucesso na aplicação do Plano de Avaliação elaborado e que o mesmo contribua para a melhoria contínua das suas práticas.

sábado, 21 de novembro de 2009

Práticas e modelos A.A. das BE - 4



Sessão 3

Perspectivar a integração do processo de auto-avaliação no contexto da escola/ agrupamento implica que o professor bibliotecário divulgue o processo e envolva os diferentes actores:
Construa um Power Point para apresentar no Pedagógico/ Escola/ agrupamento que evidencie:
- O papel e mais valias da auto-avaliação da BE;
- O processo e o necessário envolvimento da escola/ agrupamento;
- A relação com o processo de planeamento;
- A integração dos resultados na auto-avaliação da escola.


A Biblioteca Escolar é um instrumento essencial ao desenvolvimento dos currículos; um espaço privilegiado de conhecimento e aprendizagem; um recurso fundamental no desenvolvimento das várias literacias; um importante contributo para o sucesso educativo.
Mas como saber que a Biblioteca Escolar está a cumprir de forma positiva todas as suas funções?
Recorrendo à auto-avaliação, pois esta permite determinar o grau de consecução da sua missão e objectivos; permite aferir a qualidade e eficácia dos serviços e a satisfação dos utilizadores; permite identificar pontos fortes e pontos fracos; permite definir o plano de acção da Biblioteca, com a definição de acções de melhoria, e contribui para a afirmação e reconhecimento do papel que ela desempenha no seio da Comunidade Educativa. Portanto, a aplicação do modelo de auto-avaliação das bibliotecas é uma mais-valia para as próprias Bibliotecas Escolares.


a) Comentário do colega Rui Mateus

Li atentamente a apresentação da colega Manuela Silva e optei por comentar o trabalho dela porque verifiquei que ela escolheu uma estratégia semelhante à minha. O powerpoint tem interesse para apresentação ao Conselho Pedagógico e serve como documento divulgador o modelo e de sensibilização / motivação para o mesmo. Penso, talvez, que há dois dos aspectos da tarefa que a apresentação poderia ter desenvolvido com maior profundidade e maior grau de concretização:

a) o processo de envolvimento da escola;

b) a(s) forma(s) de integração dos resultados na auto-avaliação da escola.

De resto, o trabalho é claro e a colega poderá inclusive usar o seu trabalho numa reunião do CP da sua escola. Eu estou a pensar usar o meu.

Continuação de bom trabalho.

Rui Mateus

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Práticas e modelos A.A. das BE - 3

Sessão 2

Faça uma análise crítica ao Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares, tendo em conta os seguintes aspectos:
- O Modelo enquanto instrumento pedagógico e de melhoria de melhoria. Conceitos implicados.
- Pertinência da existência de um Modelo de Avaliação para as bibliotecas escolares.
- Organização estrutural e funcional. Adequação e constrangimentos.
- Integração/ Aplicação à realidade da escola.
- Competências do professor bibliotecário e estratégias implicadas na sua aplicação.





O Modelo de Auto-Avaliação é um instrumento pedagógico e de melhoria contínua que permite aos órgãos directivos e aos coordenadores avaliar o trabalho da Biblioteca Escolar e o impacto desse trabalho no funcionamento global da escola e nas aprendizagens dos alunos e identificar as áreas de sucesso e aquelas que, por apresentarem resultados menores, requerem maior investimento, determinando, em alguns casos, uma mudança/alteração de práticas.
O Modelo de Auto-Avaliação, como instrumento pedagógico, permite apontar as áreas nucleares em que se deverá realizar o trabalho da e com a Biblioteca Escolar; permite orientar a definição de factores críticos de sucesso para áreas nucleares ao funcionamento da Biblioteca Escolar e sugerir acções de melhoria.
Um dos conceitos implicados no Modelo de Auto-Avaliação é a noção de valor relacionado com a experiencia e benefícios que se retira das coisas. Por exemplo, se é importante ter uma Biblioteca Escolar agradável e bem apetrechada é, também, indispensável, isso estar associado a uma boa utilização nos vários domínios que caracterizam a missão da Biblioteca Escolar e produzem resultados que contribuam de forma efectiva para os objectivos da escola.
É importante salientar que com a aplicação do Modelo de Auto-Avaliação não se pretende avaliar o desempenho individual do professor bibliotecário ou os elementos da equipa da Biblioteca, mas avaliar a qualidade e eficácia da Biblioteca Escolar, devendo, por isso, a auto-avaliação ser encarada como um processo pedagógico e regulador, inerente à gestão e procura de uma melhoria contínua da Biblioteca Escolar.
A existência de um Modelo de Auto-Avaliação nas Bibliotecas Escolares é pertinente, pois, através dele, podemos identificar problemas, avaliar e interpretar as evidências recolhidas e procurar extrair conhecimento que oriente acções futuras e delineie caminhos.
O Modelo de Auto-Avaliação está organizado em quatro domínios e um conjunto de indicadores sobre os quais assenta todo o trabalho da Biblioteca Escolar. A organização estrutural e funcional do Modelo assume-se como um instrumento de melhoria. Os indicadores apontam para as zonas nucleares de intervenção em cada domínio e permitem a aplicação de elementos de medição que irão possibilitar uma apreciação sobre a qualidade da Biblioteca Escolar.
Relativamente à divisão dos domínios, alguns dados repetem-se na aplicação do modelo, nomeadamente nos domínios A e B, uma vez que actividades incluídas no Apoio ao Desenvolvimento Curricular – domínio A – inserem-se também na Leitura e Literacias – domínio B -, pois a articulação da Biblioteca Escolar com as estruturas pedagógicas e os docentes e o desenvolvimento da literacia da informação não podem ser vistas de forma separada, desarticulada, uma vez que promover a leitura e as literacias a partir da BE só faz sentido se as actividades estiverem integradas no desenvolvimento do currículo.
Em relação aos instrumentos de recolha de evidências, designadamente os questionários e as grelhas de observação, eles devem ser alterados de acordo com as necessidades e em função do nível de ensino a que vai ser aplicado, podendo-se acrescentar elementos que são próprios de cada Biblioteca Escolar; acrescentar/retirar competências nas grelhas de observação de acordo com o ano de escolaridade. Portanto, os instrumentos de recolha de evidências devem ser adaptados à realidade de cada Biblioteca Escolar.
A aplicação do Modelo implica a mobilização da equipa da BE para a necessidade de diagnosticar/avaliar o impacto e o valor da Biblioteca Escolar na escola; implica a realização de sessões de esclarecimento para a equipa; implica a comunicação constante com a direcção da escola, alertando para a necessidade e o valor da implementação do processo de avaliação; implica a apresentação e discussão do processo em Conselho Pedagógico e a aproximação com os departamentos e os professores.
Em todo este processo, o professor bibliotecário deve ser um bom comunicador no seio da escola, ser proactivo, saber exercer influência junto dos professores e da direcção, ser considerado útil e relevante pelos outros membros da comunidade educativa, ser observador, ser capaz de ver o todo, saber estabelecer prioridades, saber realizar uma abordagem construtiva aos problemas e à realidade, ser um bom gestor de serviços de aprendizagem no seio da escola, saber gerir recursos, ser tutor, professor e avaliador de recursos com o objectivo de apoiar e contribuir para as aprendizagens, saber gerir e avaliar de acordo com a missão e objectivos da escola e saber trabalhar com os departamentos e os colegas.
O professor bibliotecário, segundo as competências que deve evidenciar, é um ser que não existe, pois ninguém é perfeito e o Modelo aponta para um ser perfeito, um super-herói que possui todas as qualidades e nenhum defeito. Na realidade não é isso que acontece. O professor bibliotecário esforça-se por colocar em prática as competências exigidas, mas numas é melhor do que noutras, tenta encontrar um equilíbrio que faça com que tudo corra bem no desenvolvimento do processo.
Ainda no que se refere à aplicação do Modelo, o professor bibliotecário selecciona, em cada ano, o domínio a ser objecto de aplicação dos instrumentos. O ciclo conclui-se ao fim de quatro anos e deve fornecer uma visão global da BE.
Não podemos esquecer que a avaliação da BE não constitui um fim em si, mas um processo de melhoria que deve proporcionar informação de qualidade capaz de apoiar tomadas de decisão. Os resultados devem ser comunicados ao director, divulgados e discutidos nos órgãos de gestão pedagógica.
Concluindo, os resultados devem ser tidos em consideração no processo de planificação e gestão da BE, pois permitem-nos definir acções de melhoria, objectivos, prioridades e estratégias.



a) Comentário à analise realizado pelo colega Horácio Santos

O contributo que a Manuela trouxe para esta reflexão representa, a meu ver, uma visão clara e esclarecida do que é o modelo de auto-avaliação das bibliotecas escolares facultado pela RBE.
A explanação do conteúdo da análise que efectuou evidencia a clarividência com que a colega percepciona a Biblioteca Escolar e o seu papel na vida da Escola.
A abordagem sucinta e precisa das questões convida a que nos debrucemos sobre aquilo que escreve. Foi, aliás, este pressuposto que me levou a escolher o seu trabalho, sobre o qual, se me permitir, terei a ousadia de tecer um breve comentário.
Em primeiro lugar alude ao modelo enquadrando-o na teorização (literatura) que o sustenta, revelando um perfeito domínio sobre a mesma, situação que se atesta através da forma sucinta com que desenvolveu a sua análise crítica ao modelo.
Quanto ao conteúdo, de um maneira geral, concordo com o mesmo, pois conseguiu apanhar as questões essenciais, segundo a minha percepção. Permito-me, porém, destacar/questionar alguns aspectos.
Nos primeiros parágrafos focaliza no modelo enquanto instrumento pedagógico e de melhoria das aprendizagens, evidenciado os aspectos de diagnóstico e de contributo para a planificação do trabalho futuro que a aplicação do modelo deve trazer.
Depois, não ignora alguns dos conceitos implicados no modelo de avaliação teorizando sobre a noção de valor e colocando o enfoque na eficiente utilização da BE enquanto recurso da escola.
Quando no 4º parágrafo se refere à finalidade da avaliação assentando a ênfase nas práticas da BE, sou tentado em concordar, pois a literatura sustenta essa visão, ou seja a de que o modelo pretende apenas avaliar a eficácia e qualidade de serviços. Todavia, tenho para mim que, embora saibamos que os resultados da aplicação deste modelo não têm implicações directas na avaliação das pessoas que trabalha na biblioteca, eles não deixarão de ser colados as esses protagonistas. Por outro lado a aplicação deste modelo pode ser entendida segundo esta perspectiva pelos professores da escola que participam nessa avaliação, situação que pode constituir um constrangimento e ser viciadora dos resultados.
Nos parágrafos em que alude à organização estrutural e funcional, fá-lo com propriedade revelando um bom conhecimento do modelo e destacando o facto de mesmo poder ser adaptado à realidade de cada biblioteca e à necessidade de se envolver toda a escola na aplicação do mesmo. Por outro lado, não deixa de destacar a importância da comunicação com as estruturas de decisão organizativa e pedagógica da escola.
Concordo, ainda, quando evidencia o papel da avaliação enquanto processo de melhoria e não como um fim. Esta perspectiva valida a percepção, com a qual eu comungo, de que a auto-avaliação da BE só se efectivará, sem sobressaltos, e produzirá resultados válidos, quando se institucionalizar de forma sistemática e natural nas práticas diárias da BE.
Rematando, importa referir que no articulado do texto se encontram perfeitamente evidenciados os vários aspectos que o guia orientador da sessão sugere, espelhando, clara e objectivamente a forma como a colega vê e sente a BE, bem como percepciona a aplicação deste modelo de auto-avaliação.


b) Comentário da colega Ana Margarida Cardoso

Após ter lido e analisado o seu comentário verifiquei que estamos com a mesma linha de pensamento. No entanto há a salientar alguns aspectos que acho fundamentais:

1. “Com a aplicação do Modelo de Auto-Avaliação não se pretende avaliar o desempenho individual do professor bibliotecário ou os elementos da equipa da Biblioteca, mas avaliar a qualidade e eficácia da Biblioteca Escolar...”

Neste ponto o importante é aferir não a eficiência mas a eficácia dos serviços, daí a necessidade de esta auto-avaliação dever ser encarada como um processo pedagógico e uma busca de melhorias para a BE. Todos o devemos ver como uma necessidade e não como algo que nos é imposto, por isso espera-se que este modelo movimente toda a escola.

2. “Os instrumentos de recolha de evidências devem ser adaptados à realidade de cada Biblioteca Escolar.”

Na minha perspectiva também acho que a recolha de evidências se deva adaptar à realidade de cada BE, dado que as propostas de fichas que nos são apresentadas serão um pouco difíceis de aplicar ao nível do 1º ciclo (especialmente as que se devem aplicar aos alunos).

3. “(…) o professor bibliotecário deve ser um bom comunicador no seio da escola, ser proactivo, saber exercer influência junto dos professores e da direcção, ser considerado útil e relevante pelos outros membros da comunidade educativa, ser observador, ser capaz de ver o todo, saber estabelecer prioridades, saber realizar uma abordagem construtiva aos problemas e à realidade, ser um bom gestor de serviços de aprendizagem no seio da escola, saber gerir recursos, ser tutor, professor e avaliador de recursos com o objectivo de apoiar e contribuir para as aprendizagens, saber gerir e avaliar de acordo com a missão e objectivos da escola e saber trabalhar com os departamentos e os colegas.”

Concluindo e resumindo, o professor bibliotecário deve ser um super-homem ou super-mulher para conseguir ter todas estas competências. Não é que eu não anseie vir a obtê-las mas não é tarefa fácil, pois sou um simples ser humano com algumas qualidades, mas também com alguns defeitos.

c) Comentário da colega Sandra Santos

Depois de ter lido a “Análise crítica ao Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares” elaborada pela Professora Manuela Silva, não posso deixar de referir que muitas das ideias que apresenta são comuns às que apresentei no meu trabalho e as nossas, em conjunto, serão, porventura, semelhantes às que os nossos colegas focam nos seus trabalhos. Isto dá, por si só, a certeza de que não estamos sozinhas nesta tarefa, árdua e exigente, mas gratificante e vital para a vida da escola, que é a tarefa de ser, a tempo inteiro ou não, Professor(a) Bibliotecário(a).
Nesta nossa tarefa, tal como acontece com a escola em geral, temos a pressão da sociedade, os olhos da comunidade educativa postos em nós e muito caminho temos de percorrer para combater e anular ideias preconceituosas, mas ainda vigentes, de que o trabalho na Biblioteca é “coisa para encher horário” e que até dá para “descansar e tirar umas férias das aulas”. Estarei, talvez, a ser injusta para os nossos colegas Professores uma vez que nunca me disseram directamente este tipo de coisas. Se o pensaram, tiveram a sensatez de não o dizer, tendo evitado uma discussão e argumentos em defesa da BE e do papel de Professor Bibliotecário. Não ouvi de Professores, mas ouvi de pessoas conhecidas, pouco conhecedoras destas coisas da Educação e, muito menos, destas coisas das Bibliotecas Escolares. Não que lhe tenha dado importância, mas os reparos serviram para marcar uma posição certamente partilhada por tantos portugueses que frequentemente diminuem a profissão de ser Professor, os seus objectivos e as suas conquistas.
Não só por isto, mas também por isto, pela melhoria da imagem do Professor, no geral e da imagem dos Coordenadores de Bibliotecas Escolares, agora Professores Bibliotecários, é fundamental que as nossas práticas e, consequentemente, as práticas da BE estejam ao alcance de todos, sejam avaliadas e os resultados divulgados à comunidade escolar.
Como refere no seu trabalho, “a auto-avaliação [deverá] ser encarada como um processo pedagógico e regulador, inerente à gestão e procura de uma melhoria contínua da Biblioteca Escolar.” Não posso estar mais de acordo consigo porquanto as práticas só poderão ser alteradas se, de facto, se buscar uma melhoria efectiva na oferta de serviços e de recursos. A perspectiva de melhoria terá sempre de estar no horizonte dos nossos programas e deverá pautar as nossas tarefas e actividades.
Concordo também quando se refere à transversalidade dos domínios, ao seu cruzamento e aos elementos que, estando referidos num domínio, bem poderiam ser incluídos noutro. Como muito bem refere: “As actividades incluídas no Apoio ao Desenvolvimento Curricular – domínio A – inserem-se também na Leitura e Literacias – domínio B –, pois a articulação da Biblioteca Escolar com as estruturas pedagógicas e os docentes e o desenvolvimento da literacia da informação não podem ser vistas de forma separada, desarticulada, uma vez que promover a leitura e as literacias a partir da BE só faz sentido se as actividades estiverem integradas no desenvolvimento do currículo.”


No seu trabalho identifica também um dos aspectos fundamentais subjacentes a este modelo de avaliação: a necessidade de “os instrumentos de recolha de evidências devem ser adaptados à realidade de cada Biblioteca Escolar.” Só assim um modelo tão lato e abrangente poderá fazer sentido e só assim se evitará o “nivelamento” de estruturas que, muitas vezes, parece ser preconizado por instrumentos de recolha de dados que visam ser aplicados globalmente. Através da adaptação do modelo à realidade de cada escola saber-se-á como cada BE funciona, ao mesmo tempo que se recolhem dados que possam ser analisados e comparados com a realidade de outras escolas.
Deixo para final as considerações sobre o papel do Professor Bibliotecário e as competências que diversos documentos elencam, por ser uma questão que, talvez, mais directamente nos afecta, nos diz respeito e nos toca. A Manuela coloca a questão de forma inequívoca e pragmática:

O professor bibliotecário, segundo as competências que deve evidenciar, é um ser que não existe, pois ninguém é perfeito e o Modelo aponta para um ser perfeito, um super-herói que possui todas as qualidades e nenhum defeito. Na realidade não é isso que acontece. O professor bibliotecário esforça-se por colocar em prática as competências exigidas, mas numas é melhor do que noutras, tenta encontrar um equilíbrio que faça com que tudo corra bem no desenvolvimento do processo.

Não somos super-heróis e super-heroínas e nem conseguimos, creio que ninguém consegue, possuir todas as competências elencadas. Contudo, creio poder afirmar que, embora não perfeitos, colocamos o nosso trabalho e o nosso esforço, tantas vezes em detrimento da nossa vida familiar e pessoal, ao serviço da BE, da Escola e dos alunos. É com essa atitude de entrega que conseguimos avançar e ir ultrapassando as dificuldades; é com dedicação que atendemos os pedidos que são feitos por alunos, professores e órgão de gestão; é com vontade e força que vamos colocando as BE no local onde devem estar – no centro da vida da Escola



segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Práticas e modelos A.A. das BE - 2

Sessão 1

Partindo da leitura dos textos fornecidos e do conhecimento da biblioteca escolar que dirige, perspective a sua situação identificando pontos fortes, fraquezas, oportunidades e ameaças e desafios principais que o professor bibliotecário e a biblioteca escolar enfrentam no contexto da mudança.



A auto-avaliação da Biblioteca Escolar é muito importante e foi um passo crucial para a valorização da mesma.


No ano transacto, apliquei na Biblioteca Escolar, da qual sou coordenadora, o modelo de auto-avaliação implementado pela RBE e foi graças a ele que a equipa tomou consciência dos pontos fortes e fracos da mesma e apontou acções de melhoria. Foi também com base nessa auto-avaliação que a Biblioteca Escolar definiu o Plano de Acção para os próximos quatro anos e as actividades a desenvolver para cumprir os pressupostos apresentados no referido Plano.


Não podemos esquecer que se trata de um modelo de auto-avaliação; ninguém vem avaliar os nossos serviços ou o nosso trabalho; somos nós, através das evidências que vamos recolhendo que verificamos, concluímos onde estamos a falhar e onde estamos a agir correctamente.


Essa auto-avaliação permite-nos reorientar o nosso trabalho de forma a prestarmos bons serviços a todos aqueles que recorrem ao espaço da Biblioteca Escolar.


A tarefa 1 da Formação "Práticas e modelos de auto-avaliação das Bibliotecas Escolares seguiu também esse mesmo caminho e o facto de ter implementado, no ano anterior, o modelo, facilitou a realização da mesma.


Este modelo dá muito trabalho, não é tarefa fácil, e a análise dos resultados dos questionários e das evidências é difícil, trabalhosa, mas, no final, sentimo-nos compensados, pois temos uma concretização do nosso trabalho desenvolvido, da forma como ele é visto pelos alunos e pelos colegas.



a) Comentário da colega Maria de Jesus Geraldes

O trabalho da colega Manuela Silva reflecte de forma clara a Biblioteca Escolar (B.E) em que está a trabalhar.

Os aspectos que refere relativamente às “Competências do Professor Bibliotecário”, baseados nos textos da bibliografia indicada, são pertinentes para um bom desempenho desta função, cada vez mais exigente.

Verifico que os recursos da sua escola estão centrados na B.E, o que é uma mais-valia. Tem ainda a vantagem de estar a trabalhar com uma equipa empenhada, com formação em bibliotecas escolares.

O trabalho de “Gestão da colecção” encontra-se em dia, com uma colecção adequada em quantidade e qualidade, o que lhe dá disponibilidade de tempo para desenvolver melhor outras áreas de trabalho.

A B.E descrita parece ser um espaço de conhecimento e aprendizagem onde os alunos recebem apoio personalizado. Ali ocorrem ainda, reuniões entre o professor bibliotecário e os responsáveis das áreas científicas o que, no nosso caso, se encontra em fase de implementação.

Relativamente à ”Formação para a leitura e as literacias”, concordo com as observações descritas pela colega, no sentido em que as actividades referidas não podem ser realizadas sem o apoio e colaboração mais activa dos professores de Língua Portuguesa. Deparo-me igualmente com a falta de disponibilidade dos docentes que têm planificações anuais para cumprir rigorosamente e exames para preparar (Provas de Aferição e Exame do 9º ano, designadamente).

No ponto “B.E e novos ambientes digitais” a biblioteca descrita parece estar correctamente e suficientemente apetrechada. O mesmo não acontece na nossa B.E ainda mal equipada a nível das novas tecnologias, por falta de verbas.

A leitura do trabalho realizado pela colega foi inspirador no sentido em que, ao ter focado alguns aspectos que não referi, me dei conta da sua relevância.

sábado, 24 de outubro de 2009

Práticas e modelos A.A. das BE - 1


Consultem este site. Ele fala do papel das Bibliotecas Escolares na sociedade actual e da importância da avaliação das mesmas.