quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Práticas e modelos A.A. das BE - 3

Sessão 2

Faça uma análise crítica ao Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares, tendo em conta os seguintes aspectos:
- O Modelo enquanto instrumento pedagógico e de melhoria de melhoria. Conceitos implicados.
- Pertinência da existência de um Modelo de Avaliação para as bibliotecas escolares.
- Organização estrutural e funcional. Adequação e constrangimentos.
- Integração/ Aplicação à realidade da escola.
- Competências do professor bibliotecário e estratégias implicadas na sua aplicação.





O Modelo de Auto-Avaliação é um instrumento pedagógico e de melhoria contínua que permite aos órgãos directivos e aos coordenadores avaliar o trabalho da Biblioteca Escolar e o impacto desse trabalho no funcionamento global da escola e nas aprendizagens dos alunos e identificar as áreas de sucesso e aquelas que, por apresentarem resultados menores, requerem maior investimento, determinando, em alguns casos, uma mudança/alteração de práticas.
O Modelo de Auto-Avaliação, como instrumento pedagógico, permite apontar as áreas nucleares em que se deverá realizar o trabalho da e com a Biblioteca Escolar; permite orientar a definição de factores críticos de sucesso para áreas nucleares ao funcionamento da Biblioteca Escolar e sugerir acções de melhoria.
Um dos conceitos implicados no Modelo de Auto-Avaliação é a noção de valor relacionado com a experiencia e benefícios que se retira das coisas. Por exemplo, se é importante ter uma Biblioteca Escolar agradável e bem apetrechada é, também, indispensável, isso estar associado a uma boa utilização nos vários domínios que caracterizam a missão da Biblioteca Escolar e produzem resultados que contribuam de forma efectiva para os objectivos da escola.
É importante salientar que com a aplicação do Modelo de Auto-Avaliação não se pretende avaliar o desempenho individual do professor bibliotecário ou os elementos da equipa da Biblioteca, mas avaliar a qualidade e eficácia da Biblioteca Escolar, devendo, por isso, a auto-avaliação ser encarada como um processo pedagógico e regulador, inerente à gestão e procura de uma melhoria contínua da Biblioteca Escolar.
A existência de um Modelo de Auto-Avaliação nas Bibliotecas Escolares é pertinente, pois, através dele, podemos identificar problemas, avaliar e interpretar as evidências recolhidas e procurar extrair conhecimento que oriente acções futuras e delineie caminhos.
O Modelo de Auto-Avaliação está organizado em quatro domínios e um conjunto de indicadores sobre os quais assenta todo o trabalho da Biblioteca Escolar. A organização estrutural e funcional do Modelo assume-se como um instrumento de melhoria. Os indicadores apontam para as zonas nucleares de intervenção em cada domínio e permitem a aplicação de elementos de medição que irão possibilitar uma apreciação sobre a qualidade da Biblioteca Escolar.
Relativamente à divisão dos domínios, alguns dados repetem-se na aplicação do modelo, nomeadamente nos domínios A e B, uma vez que actividades incluídas no Apoio ao Desenvolvimento Curricular – domínio A – inserem-se também na Leitura e Literacias – domínio B -, pois a articulação da Biblioteca Escolar com as estruturas pedagógicas e os docentes e o desenvolvimento da literacia da informação não podem ser vistas de forma separada, desarticulada, uma vez que promover a leitura e as literacias a partir da BE só faz sentido se as actividades estiverem integradas no desenvolvimento do currículo.
Em relação aos instrumentos de recolha de evidências, designadamente os questionários e as grelhas de observação, eles devem ser alterados de acordo com as necessidades e em função do nível de ensino a que vai ser aplicado, podendo-se acrescentar elementos que são próprios de cada Biblioteca Escolar; acrescentar/retirar competências nas grelhas de observação de acordo com o ano de escolaridade. Portanto, os instrumentos de recolha de evidências devem ser adaptados à realidade de cada Biblioteca Escolar.
A aplicação do Modelo implica a mobilização da equipa da BE para a necessidade de diagnosticar/avaliar o impacto e o valor da Biblioteca Escolar na escola; implica a realização de sessões de esclarecimento para a equipa; implica a comunicação constante com a direcção da escola, alertando para a necessidade e o valor da implementação do processo de avaliação; implica a apresentação e discussão do processo em Conselho Pedagógico e a aproximação com os departamentos e os professores.
Em todo este processo, o professor bibliotecário deve ser um bom comunicador no seio da escola, ser proactivo, saber exercer influência junto dos professores e da direcção, ser considerado útil e relevante pelos outros membros da comunidade educativa, ser observador, ser capaz de ver o todo, saber estabelecer prioridades, saber realizar uma abordagem construtiva aos problemas e à realidade, ser um bom gestor de serviços de aprendizagem no seio da escola, saber gerir recursos, ser tutor, professor e avaliador de recursos com o objectivo de apoiar e contribuir para as aprendizagens, saber gerir e avaliar de acordo com a missão e objectivos da escola e saber trabalhar com os departamentos e os colegas.
O professor bibliotecário, segundo as competências que deve evidenciar, é um ser que não existe, pois ninguém é perfeito e o Modelo aponta para um ser perfeito, um super-herói que possui todas as qualidades e nenhum defeito. Na realidade não é isso que acontece. O professor bibliotecário esforça-se por colocar em prática as competências exigidas, mas numas é melhor do que noutras, tenta encontrar um equilíbrio que faça com que tudo corra bem no desenvolvimento do processo.
Ainda no que se refere à aplicação do Modelo, o professor bibliotecário selecciona, em cada ano, o domínio a ser objecto de aplicação dos instrumentos. O ciclo conclui-se ao fim de quatro anos e deve fornecer uma visão global da BE.
Não podemos esquecer que a avaliação da BE não constitui um fim em si, mas um processo de melhoria que deve proporcionar informação de qualidade capaz de apoiar tomadas de decisão. Os resultados devem ser comunicados ao director, divulgados e discutidos nos órgãos de gestão pedagógica.
Concluindo, os resultados devem ser tidos em consideração no processo de planificação e gestão da BE, pois permitem-nos definir acções de melhoria, objectivos, prioridades e estratégias.



a) Comentário à analise realizado pelo colega Horácio Santos

O contributo que a Manuela trouxe para esta reflexão representa, a meu ver, uma visão clara e esclarecida do que é o modelo de auto-avaliação das bibliotecas escolares facultado pela RBE.
A explanação do conteúdo da análise que efectuou evidencia a clarividência com que a colega percepciona a Biblioteca Escolar e o seu papel na vida da Escola.
A abordagem sucinta e precisa das questões convida a que nos debrucemos sobre aquilo que escreve. Foi, aliás, este pressuposto que me levou a escolher o seu trabalho, sobre o qual, se me permitir, terei a ousadia de tecer um breve comentário.
Em primeiro lugar alude ao modelo enquadrando-o na teorização (literatura) que o sustenta, revelando um perfeito domínio sobre a mesma, situação que se atesta através da forma sucinta com que desenvolveu a sua análise crítica ao modelo.
Quanto ao conteúdo, de um maneira geral, concordo com o mesmo, pois conseguiu apanhar as questões essenciais, segundo a minha percepção. Permito-me, porém, destacar/questionar alguns aspectos.
Nos primeiros parágrafos focaliza no modelo enquanto instrumento pedagógico e de melhoria das aprendizagens, evidenciado os aspectos de diagnóstico e de contributo para a planificação do trabalho futuro que a aplicação do modelo deve trazer.
Depois, não ignora alguns dos conceitos implicados no modelo de avaliação teorizando sobre a noção de valor e colocando o enfoque na eficiente utilização da BE enquanto recurso da escola.
Quando no 4º parágrafo se refere à finalidade da avaliação assentando a ênfase nas práticas da BE, sou tentado em concordar, pois a literatura sustenta essa visão, ou seja a de que o modelo pretende apenas avaliar a eficácia e qualidade de serviços. Todavia, tenho para mim que, embora saibamos que os resultados da aplicação deste modelo não têm implicações directas na avaliação das pessoas que trabalha na biblioteca, eles não deixarão de ser colados as esses protagonistas. Por outro lado a aplicação deste modelo pode ser entendida segundo esta perspectiva pelos professores da escola que participam nessa avaliação, situação que pode constituir um constrangimento e ser viciadora dos resultados.
Nos parágrafos em que alude à organização estrutural e funcional, fá-lo com propriedade revelando um bom conhecimento do modelo e destacando o facto de mesmo poder ser adaptado à realidade de cada biblioteca e à necessidade de se envolver toda a escola na aplicação do mesmo. Por outro lado, não deixa de destacar a importância da comunicação com as estruturas de decisão organizativa e pedagógica da escola.
Concordo, ainda, quando evidencia o papel da avaliação enquanto processo de melhoria e não como um fim. Esta perspectiva valida a percepção, com a qual eu comungo, de que a auto-avaliação da BE só se efectivará, sem sobressaltos, e produzirá resultados válidos, quando se institucionalizar de forma sistemática e natural nas práticas diárias da BE.
Rematando, importa referir que no articulado do texto se encontram perfeitamente evidenciados os vários aspectos que o guia orientador da sessão sugere, espelhando, clara e objectivamente a forma como a colega vê e sente a BE, bem como percepciona a aplicação deste modelo de auto-avaliação.


b) Comentário da colega Ana Margarida Cardoso

Após ter lido e analisado o seu comentário verifiquei que estamos com a mesma linha de pensamento. No entanto há a salientar alguns aspectos que acho fundamentais:

1. “Com a aplicação do Modelo de Auto-Avaliação não se pretende avaliar o desempenho individual do professor bibliotecário ou os elementos da equipa da Biblioteca, mas avaliar a qualidade e eficácia da Biblioteca Escolar...”

Neste ponto o importante é aferir não a eficiência mas a eficácia dos serviços, daí a necessidade de esta auto-avaliação dever ser encarada como um processo pedagógico e uma busca de melhorias para a BE. Todos o devemos ver como uma necessidade e não como algo que nos é imposto, por isso espera-se que este modelo movimente toda a escola.

2. “Os instrumentos de recolha de evidências devem ser adaptados à realidade de cada Biblioteca Escolar.”

Na minha perspectiva também acho que a recolha de evidências se deva adaptar à realidade de cada BE, dado que as propostas de fichas que nos são apresentadas serão um pouco difíceis de aplicar ao nível do 1º ciclo (especialmente as que se devem aplicar aos alunos).

3. “(…) o professor bibliotecário deve ser um bom comunicador no seio da escola, ser proactivo, saber exercer influência junto dos professores e da direcção, ser considerado útil e relevante pelos outros membros da comunidade educativa, ser observador, ser capaz de ver o todo, saber estabelecer prioridades, saber realizar uma abordagem construtiva aos problemas e à realidade, ser um bom gestor de serviços de aprendizagem no seio da escola, saber gerir recursos, ser tutor, professor e avaliador de recursos com o objectivo de apoiar e contribuir para as aprendizagens, saber gerir e avaliar de acordo com a missão e objectivos da escola e saber trabalhar com os departamentos e os colegas.”

Concluindo e resumindo, o professor bibliotecário deve ser um super-homem ou super-mulher para conseguir ter todas estas competências. Não é que eu não anseie vir a obtê-las mas não é tarefa fácil, pois sou um simples ser humano com algumas qualidades, mas também com alguns defeitos.

c) Comentário da colega Sandra Santos

Depois de ter lido a “Análise crítica ao Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares” elaborada pela Professora Manuela Silva, não posso deixar de referir que muitas das ideias que apresenta são comuns às que apresentei no meu trabalho e as nossas, em conjunto, serão, porventura, semelhantes às que os nossos colegas focam nos seus trabalhos. Isto dá, por si só, a certeza de que não estamos sozinhas nesta tarefa, árdua e exigente, mas gratificante e vital para a vida da escola, que é a tarefa de ser, a tempo inteiro ou não, Professor(a) Bibliotecário(a).
Nesta nossa tarefa, tal como acontece com a escola em geral, temos a pressão da sociedade, os olhos da comunidade educativa postos em nós e muito caminho temos de percorrer para combater e anular ideias preconceituosas, mas ainda vigentes, de que o trabalho na Biblioteca é “coisa para encher horário” e que até dá para “descansar e tirar umas férias das aulas”. Estarei, talvez, a ser injusta para os nossos colegas Professores uma vez que nunca me disseram directamente este tipo de coisas. Se o pensaram, tiveram a sensatez de não o dizer, tendo evitado uma discussão e argumentos em defesa da BE e do papel de Professor Bibliotecário. Não ouvi de Professores, mas ouvi de pessoas conhecidas, pouco conhecedoras destas coisas da Educação e, muito menos, destas coisas das Bibliotecas Escolares. Não que lhe tenha dado importância, mas os reparos serviram para marcar uma posição certamente partilhada por tantos portugueses que frequentemente diminuem a profissão de ser Professor, os seus objectivos e as suas conquistas.
Não só por isto, mas também por isto, pela melhoria da imagem do Professor, no geral e da imagem dos Coordenadores de Bibliotecas Escolares, agora Professores Bibliotecários, é fundamental que as nossas práticas e, consequentemente, as práticas da BE estejam ao alcance de todos, sejam avaliadas e os resultados divulgados à comunidade escolar.
Como refere no seu trabalho, “a auto-avaliação [deverá] ser encarada como um processo pedagógico e regulador, inerente à gestão e procura de uma melhoria contínua da Biblioteca Escolar.” Não posso estar mais de acordo consigo porquanto as práticas só poderão ser alteradas se, de facto, se buscar uma melhoria efectiva na oferta de serviços e de recursos. A perspectiva de melhoria terá sempre de estar no horizonte dos nossos programas e deverá pautar as nossas tarefas e actividades.
Concordo também quando se refere à transversalidade dos domínios, ao seu cruzamento e aos elementos que, estando referidos num domínio, bem poderiam ser incluídos noutro. Como muito bem refere: “As actividades incluídas no Apoio ao Desenvolvimento Curricular – domínio A – inserem-se também na Leitura e Literacias – domínio B –, pois a articulação da Biblioteca Escolar com as estruturas pedagógicas e os docentes e o desenvolvimento da literacia da informação não podem ser vistas de forma separada, desarticulada, uma vez que promover a leitura e as literacias a partir da BE só faz sentido se as actividades estiverem integradas no desenvolvimento do currículo.”


No seu trabalho identifica também um dos aspectos fundamentais subjacentes a este modelo de avaliação: a necessidade de “os instrumentos de recolha de evidências devem ser adaptados à realidade de cada Biblioteca Escolar.” Só assim um modelo tão lato e abrangente poderá fazer sentido e só assim se evitará o “nivelamento” de estruturas que, muitas vezes, parece ser preconizado por instrumentos de recolha de dados que visam ser aplicados globalmente. Através da adaptação do modelo à realidade de cada escola saber-se-á como cada BE funciona, ao mesmo tempo que se recolhem dados que possam ser analisados e comparados com a realidade de outras escolas.
Deixo para final as considerações sobre o papel do Professor Bibliotecário e as competências que diversos documentos elencam, por ser uma questão que, talvez, mais directamente nos afecta, nos diz respeito e nos toca. A Manuela coloca a questão de forma inequívoca e pragmática:

O professor bibliotecário, segundo as competências que deve evidenciar, é um ser que não existe, pois ninguém é perfeito e o Modelo aponta para um ser perfeito, um super-herói que possui todas as qualidades e nenhum defeito. Na realidade não é isso que acontece. O professor bibliotecário esforça-se por colocar em prática as competências exigidas, mas numas é melhor do que noutras, tenta encontrar um equilíbrio que faça com que tudo corra bem no desenvolvimento do processo.

Não somos super-heróis e super-heroínas e nem conseguimos, creio que ninguém consegue, possuir todas as competências elencadas. Contudo, creio poder afirmar que, embora não perfeitos, colocamos o nosso trabalho e o nosso esforço, tantas vezes em detrimento da nossa vida familiar e pessoal, ao serviço da BE, da Escola e dos alunos. É com essa atitude de entrega que conseguimos avançar e ir ultrapassando as dificuldades; é com dedicação que atendemos os pedidos que são feitos por alunos, professores e órgão de gestão; é com vontade e força que vamos colocando as BE no local onde devem estar – no centro da vida da Escola



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